Bem-estar

02/04/2019 08h00

Mexa-se!

Liberte seu corpo e aproveite os benefícios da Dança, uma arte milenar.

Por Elisa Dorigon

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Mexa-se!

Você sabia que Abril é o mês da Dança? No dia 29, comemoramos o ‘Dia Internacional da Dança’; queremos homenagear a arte de dançar, destacando as inúmeras manifestações e estilos que trazem esta prática ancestral para os tempos atuais. 

A Dança é uma das mais antigas formas de expressão do homem. A batida de um tambor, as palmas e a música, despertam o ritmo interno de cada um, convidando o corpo a esboçar expressões incríveis.

Na pré-história, dançávamos pela vida, pela sobrevivência ou natureza, fosse em busca de água, alimentos ou por agradecimento. À medida em que evoluímos, a Dança nos acompanhou, passando a ter características sagradas.

No antigo Egito era ritualística, ou seja, em homenagem aos deuses, nascimentos, casamentos e funerais. Na Grécia, pela religião. Os gregos acreditavam em seus poderes mágicos e preparavam fisicamente os guerreiros para jogos olímpicos com a Dança.

Com a chegada do Renascimento, os nobres também passaram a apreciá-la, e então ela adquiriu um aspecto social e mais complexo, com estudos específicos e movimentos estilizados, conhecidos como Balé.

O século XVII foi marcado pelos espetáculos de Dança, com a saída do Balé dos salões para os palcos, ratificando o profissionalismo de ambos. A Dança adquire todo o seu esplendor, com cenários belos e ricos, e figurinos invejáveis. Já o Balé, passa a construir sua história, com começo, meio e fim.

Em constante transformação, a Dança passa por uma fase em que os espetáculos ficavam mais livres e com menos improvisação. Estamos na segunda metade do século XIX, onde o Balé também sofreu com a negação da formalidade. Estas novas possibilidades de expressão, deram origem à Dança Contemporânea.

O ESPÍRITO REVOLUCIONÁRIO DO MOVIMENTO DE ISADORA DUNCAN

Pioneira da Dança Moderna, a coreógrafa e bailarina americana Isadora Duncan (1878-1927), revolucionou a dança no século XX. Sem sapatilhas, pés descalços, cabelos soltos, envolta em tecidos leves e sem cenário, Isadora transgrediu todas as regras do Balé clássico com sua dança livre, improvisada e diferente. Inspirada nos movimentos da natureza como o vento, plantas, nuvens e animais, dançava ao som de Chopin, Beethoven e Wagner.

Começou aos quatro anos, e aos 11 já havia desenvolvido seu próprio estilo. Quando adulta, foi para a Europa e alcançou grande sucesso em Paris (1902), ao apresentar-se no Teatro Sarah Bernhardt. Apesar da visibilidade mundial, foi bastante criticada nos Estados Unidos, sua terra natal, quando resolveu partir em turnê pela Rússia.

Em 1916, aos 38 anos, fez uma excursão pela América do Sul, passando por Buenos Aires, Montevidéu e Brasil, onde se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Boatos dão conta de que durante sua passagem por terras brasileiras, Isadora envolveu-se amorosamente com Oswald de Andrade, fascinado pela Dança.

A MEDITAÇÃO EM MOVIMENTO – AS DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS

Em diferentes culturas e civilizações, a Dança sempre esteve presente como expressão artística ou em forma de rituais, marcando datas importantes para a comunidade. Nascimentos, casamentos, épocas de plantio e colheita, as Estações do ano e até mesmo a morte. As ‘celebrações’ eram sempre de cunho social, com a finalidade de integrar todos que viviam em um determinado local.  

O bailarino, coreógrafo e pedagogo alemão Bernhard Wosien (1908 – 1986), teve a oportunidade de percorrer o Mundo nos anos 60, observando e resgatando informações preciosas sobre a Dança em diferentes povos. Ele buscava uma prática corporal que expressasse verdadeiramente seus sentimentos.

Ele pesquisou muito, coreografou e adaptou vários estilos de Dança para o círculo, principalmente as de caráter meditativo. Em 1976, na comunidade de Findhorn na Escócia, ele foi convidado a apresentar sua coletânea de danças, que então passaram a fazer parte das atividades diárias do local. O Mundo conhecia então as Danças Circulares Sagradas.

No Brasil, o responsável por introduzir estas danças em nossa cultura foi Carlos Solano, ano de 1984. Ao lado de Sara Marriot, moradora de Findhorn, levou o movimento até o Centro de Vivências de Nazaré (SP).

No estado do Rio Grande do Sul, a precursora e focalizadora foi Marge Oppliger, atualmente monja Daien. Após deixar a cidade de Nazaré em no início dos anos 90, retornou à Porto Alegre, formando grupos de Dança na capital e no interior.

Marge relembra com carinho quando nasceram as Danças Circulares Sagradas: “No começo, a tribo era reduzida, mas utilizei a dança como elemento de integração entre minhas alunas de Yoga e o círculo de mulheres que eu participava. Também introduzi as danças na Universidade Holística - Unipaz e na Grande Fraternidade Universal e, assim, tudo foi se expandindo.

Trouxe grandes professores de Findhorn, o que foi bastante positivo pois meus alunos tiveram contato com nomes consagrados da Dança. Utilizava as danças em ambientes empresariais, como recurso na dinâmica de grupo, e também como caminho terapêutico, e trabalhava individualmente movimentos arquetípicos como forma de terapia”.

Atualmente na Suíça, Daien segue seu trabalho com a Dança, a Yoga e a Escola Waldorf, além de ser aluna da monja Cohen.

Os benefícios de dançar em grupo são muitos: leveza, alegria, bem-estar e autoconhecimento. Resultados: desenvolvimento do apoio mútuo, integração, comunhão, cooperação, valorização e aprimoramento da individualidade. A musicalidade e o ritmo serão levados por toda a vida, equilibrando corpo, mente, emocional e espiritual.

DANÇA DO VENTRE E AUTOESTIMA FEMININA

De origem remota e não datada, a Dança do Ventre pode ter surgido no Antigo Egito, sendo praticada como forma de ritual pelas mulheres, onde a fertilidade feminina e também da terra eram reverenciadas em cultos à Grande Mãe, Deusa geradora da vida.

Para a bailarina e professora de Dança do Ventre, Aline Mesquita, “esta dança contém a sabedoria do sagrado feminino. Quando dançamos, resgatamos a feminilidade e promovemos a expansão da consciência, compreendendo corpo e mente, entrando em sintonia com nossa Deusa interior. Ela trabalha o autoconhecimento e a autovalorização através da essência que reside em cada mulher, e que nos reconecta com a Natureza e seus ciclos”.

São movimentos vibrantes, impactantes, ondulações e rotações que envolvem o corpo como um todo, trazendo inúmeros benefícios. A dança auxilia na boa postura e coordenação motora, no emagrecimento e aumento da capacidade cardiorrespiratória, traz força e resistência muscular. Também melhora a circulação sanguínea, reduz o estresse e a ansiedade, combate a depressão e ajuda na socialização.

A professora ainda afirma que “os benefícios que mais se destacam na Dança do Ventre são a confiança e a autoestima, pois são trabalhados reconhecimento, conscientização e valorização do corpo da mulher pela própria mulher. Aspectos que serão levados para a vida toda. Ganho psicológico e até mesmo espiritual, como uma conexão com o seu ‘eu’, o seu ‘divino’ e seu propósito individual”.

AS DANÇAS DE UM POVO PELO MUNDO

O poder de envolvimento, sedução e encantamento trazido pela Dança Cigana é inegável, porém, como foi difundida por um povo nômade, suas origens são incertas. Por onde passavam, os ciganos se adaptavam à forma tradicional dos costumes locais, tornando a sua dança uma união de muitas nações. “Diferentes musicalidades foram criadas ou popularizadas pelos ciganos ao redor do mundo”, segundo Jéssica Prestes, historiadora e professora de Dança Cigana. “São vários ritmos, passos diferentes, figurinos e maneiras próprias de se vestir, fazendo relação com os grupos ciganos de cada região do planeta. Na Rússia, ela é chamada de Ruska Roma, e é caracterizada por saias com bastante roda, alguns passos com sapateado e postura alongada. Já na Turquia, a dança cigana é conhecida como Roman Havasi, o encaixe e desencaixe de quadril é uma das principais características, com passos e movimentos que imitam o cotidiano dos ciganos turcos, em um ritmo bem marcado”, completa Jéssica.

Além da diversidade e riqueza cultural destas danças, os benefícios físicos são muitos: desenvolvimento da coordenação motora, noção espacial, melhora gradual na frequência cardíaca e capacidade respiratória, desenvolvimento muscular, consciência corporal e rítmica, evolução dos aspectos mental e emocional, alívio do estresse e ansiedade, reconhecimento e desenvolvimento da criatividade, autoestima, autoconfiança, e a criação de uma rede de sociabilidade com o surgimento de novas amizades.

MOVIMENTO, MÚSICA E ENCONTRO – A DANÇA DA VIDA

Inspirado nas origens mais primitivas da Dança, o antropólogo e psicólogo chileno Rolando Toro Araneda, criou em 1960 um sistema de vivências integrativas, utilizando a música, o movimento e a emoção para desenvolver - e desbloquear - as potencialidades do ser humano.

As primeiras experiências foram feitas com doentes mentais internados no hospital psiquiátrico de Santiago. Utilizando fundamentos da Biologia, Antropologia e Psicologia, desenvolveu-se um verdadeiro sistema de integração afetiva, hoje conhecido e praticado em todas as partes do mundo: a Biodanza (em português ‘Biodança’).

De caráter 100% vivencial e com impacto diferente em cada pessoa, a Biodança é ‘a poesia do encontro humano’, um mecanismo de transformação pessoal, de autoconhecimento e resgate dos valores essenciais da vida.

Segundo o facilitador Érico Vieira, “ela libera em cada um a sua própria dança, de expressão única e que nos conecta com a fluidez, o afeto genuíno e a alegria de viver. Pode-se dizer que é algo simples: nos encontramos em grupo e propomos dinâmicas especiais com movimento emocionado e auxílio da música (sozinhos, em dupla ou em grupo). Naturalmente somos induzidos a um espaço vivencial, onde surge esta experiência única e transformadora, com a potencialização da integração do pensar-sentir-agir. Esse é um dos motivos pelo qual as pessoas se impressionam com os efeitos imediatos. Elas realmente tem dificuldades em explicar”.

As vivências da Biodança promovem a auto-regulação fisiológica no organismo, a harmonização dos sistemas simpático e parassimpático, além de outros benefícios neuropsicomotores, que vão reverberar diretamente no nosso dia a dia.

Qualquer pessoa pode praticar; crianças, adolescentes e adultos. “É uma poderosa agente de transformação. Você precisa estar disposto a permitir este contato consigo mesmo e com o outro. É um dos maiores propulsores do despertar pessoal”, explica Érico.

YOGA DANCE

O Yoga Dance combina as tradições do Yoga, movimento, respiração, chakras e uma dança livre e criativa, onde cada um é seu próprio coreógrafo e o corpo passa a ser um instrumento da alma, onde ela baila livre e criativamente.

Com uma abrangência holística, o Yoga Dance integra os aspectos físicos, emocionais, artísticos e espirituais do Ser, tornando-se  um veículo de cura, bem - estar, meditação em movimento, prece, celebração e claro, diversão.

Através dessa abordagem de movimento e dança, você se abre a uma nova forma de amar e aceitar seu corpo, descobrindo o seu próprio ritmo e resgatando o movimento espontâneo e livre da sua Essência.

Dicas do Nosso Bem Estar para os apaixonados por dança e cinema

Cisne Negro

Um filme de suspense e terror psicológico americano de 2010 dirigido por Darren Aronofsky. Nina (Natalie Portman) é bailarina de uma companhia de balé de Nova York e sua vida é inteiramente consumida pela dança. Ela mora com a mãe, Erica (Barbara Hershey), bailarina aposentada que incentiva a ambição profissional da filha. O diretor artístico da companhia, Thomas Leroy (Vincent Cassel), decide substituir a primeira bailarina, Beth MacIntyre (Winona Ryder), na apresentação de abertura da temporada, O Lago dos Cisnes, e Nina é sua primeira escolha. Mas surge uma concorrente: a nova bailarina, Lily (Mila Kunis), que deixa Leroy impressionado.

Cisne Negro pode ser interpretado como uma metáfora para a busca da perfeição artística, com todos os desafios físicos e psicológicos que isso poderia acarretar.

Billy Elliot

Um filme que mistura drama e comédia de 2000, o primeiro longa-metragem do diretor Stephen Daldry. Billy Elliot tem 11 anos, é filho de um mineiro e mora no norte da Inglaterra. Um dia, quando caminha no sentido de sua aula semanal de boxe, acaba entrando na sala de aula de balé da Sra. Wilkinson. Demonstrando um talento nunca antes visto, luta para superar preconceitos, realiza um sonho e muda a vida de todos em seu entorno.

O Último Dançarino de Mao

Filme de 2011, dirigido por Bruce Beresford, baseado na autobiografia do bailarino chinês Li Cunxin. Aos 11 anos ele foi tirado de uma pobre aldeia chinesa para estudar balé na escola de dança de Madame Mao, em Pequim. Em 1979, ele consegue entrar para a Companhia Houston Ballet durante um intercâmbio cultural no Texas, onde começa uma vida nova e livre. Os oficiais chineses tentam levá-lo de volta à China, mas manobras legais e o casamento com uma bailarina americana conseguem mantê-lo nos EUA. Para lutar pelos seus sonhos, porém, ele terá de abandonar para sempre sua família.

A Última Dança

Patrick Swayze volta a expor seu talento para dança após “Dirty Dancing”. O filme começa com o diretor de uma famosa companhia de dança morrendo, vítima de um derrame cerebral. A trupe não só perde seu fundador e gênio criador, mas pode ser o fim da companhia. Alex deixou um grande legado de dança, que inclui uma famosa coreografia, criada há sete anos e jamais apresentada. O grupo agora vê a chance de se manter unido, através da estreia desta obra.

Entretanto, para que isso aconteça, eles precisam chamar os três bailarinos originais. Patrick Swayze não só é um destes dançarinos, mas acaba sendo a força a unir esse trio, que precisa de muita garra para dançar a coreografia – a mesma que arruinou suas carreiras de forma traumática.

Cantando na Chuva

Comédia, romance e grandes números musicais. Cantando na chuva (1952), dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly é um clássico e tornou-se sem dúvida uma das películas mais conhecidas e cultuadas da história do cinema. É uma metáfora, uma alusão à transição do cinema mudo para o falado. Um marco na cinematografia e uma paixão aos cinéfilos. É pura dança, canto, riso, amor e diversão.

Dança Comigo?

John Clark (Richard Gere) é um trabalhador incansável que no fundo leva uma vida monótona e entediante. Certa noite, porém, ele vê sua vida mudar radicalmente ao observar uma charmosa instrutora de dança (Jennifer Lopez) que o inspira a sair da rotina e a inscrever-se em aulas de dança de salão. Agora, ele precisará de muita ginga para evitar que sua família e amigos descubram essa nova paixão. Com participação de Susan Saradon, Dança Comigo? é  um aclamado sucesso de público.

Flashdance

O estrondoso sucesso Flashdance, com música e visual exuberantes, conta a história de Alex Owens (Jennifer Beals), uma bela e decidida jovem de 18 anos, que trabalha de dia como funileira e à noite como dançarina em um bar. O filme brilha com a música dos anos 80. Conheça a luta de Alex para ganhar sua independência, encontrar o amor e realizar seu sonho: dançar em um conceituado conservatório de Ballet Clássico.

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