Crescimento pessoal

11/08/2014 11h27

Como expandir a intimidade do casal

O sexo pode ser muito mais do que um momento de prazer

Por Nosso Bem Estar

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A sexualidade pode ser fonte de saúde, vitalidade e autoconhecimento

Para preservar a saúde dos relacionamentos, é fundamental cultivar um espaço em que homens e mulheres se sintam à vontade para falar sobre o que sentem em relação à sua vida sexual. Principalmente para quebrar alguns mitos que se disseminaram por muito tempo sobre a sexualidade feminina e masculina. Muitas vezes os amantes são compelidos a ter algum tipo de comportamento condicionado ou buscam imagens idealizadas das relações, e acabam não respeitando a si e ao outro em suas emoções.

Leia mais em nossa matéria “Sexualidade: quebrando tabus”.

Por exemplo, o cinema, a literatura e as novelas de TV pregam que sexo bom, gostoso, é aquele que acontece repentinamente, de forma inesperada, movido pela força da paixão entre um homem e uma mulher. Sim, o efeito surpresa é muito bom e excitante. Porém, na vida real, com poucas horas para múltiplas tarefas e o peso da rotina e dos afazeres sobre os ombros do casal, o espaço e animação para uma transa abrupta e apaixonada é menor.

Para o terapeuta sexual Oswaldo Martins Rodrigues Jr., não há nada de mais em "agendar" o sexo. Programá-lo para o momento mais conveniente –livre de filhos, empregada, relatórios– não o torna menos legítimo ou estimulante. "Ir fantasiando sobre o que vão fazer, conversar a respeito, imaginar, também excita", diz o especialista.

Para a terapeuta sexual Arlete Gavranic, a obsessão pela forma física é outro fator que costuma atrapalhar a vida sexual dos casais. A exigência por corpos perfeitos acaba gerando tensão, medo, vergonha, ansiedade e muita frustração, porque pessoas muito críticas e inseguras ficam na defensiva. Esquecem-se, portanto, de valorizar seus pontos fortes, seus melhores atributos.

Na cama, em vez de apelarem para o velho truque de apagar a luz ou ficar na penumbra, podem muito bem estimular os sentidos com perfumes, preservativos com sabores, géis de massagem. "E forma física em dia, é bom lembrar, nem sempre é sinônimo de boa performance sexual. O que conta é a autoestima e a autoconfiança", diz Arlete. 

Mitos femininos e masculinos

Um dos mitos mais comuns em relação ao sexo, segundo o terapeuta Oswaldo Martins Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade, é a de que o gozo feminino deve ser bombástico, extremo, intenso, avassalador. "Se uma mulher experimenta sensações que estão aquém do que acredita ser orgasmo, ela já desclassifica esta sensação e não a nomeia de orgasmo", afirma.

Como segue a acreditar que ainda não vivenciou o clímax sexual, a mulher reforça sua performance como sendo negativa, o que conduz a novos episódios ruins e de desvalorização do prazer. Vale lembrar que o tremor, o calor e a sensação de relaxamento que caracterizam o orgasmo feminino variam não só de mulher para mulher como de experiência para experiência.

Também existe uma cobrança e uma exigência social que impõe ao homem uma postura de urgência ao sexo. Ele sempre deve "estar a fim" (no sentido de obrigação mesmo). Não será uma carga muito grande sobre os ombros dele? A verdade é que isso também é um mito. O homem nem sempre está disponível para o sexo. Existe uma tendência conforme a idade e as características individuais de cada um. Normalmente o jovem tem maior disposição ao sexo. Tem mais apoio social para procurar alívio sexual que a jovem mulher.

Na puberdade, apresenta maior frequência de atividade sexual e de masturbação quando comparado à mulher de mesma idade. Tem o período refratário curto (vide Ciclo da Resposta Sexual Humana masculino e feminino) e ansiedade constante em ejacular. No homem mais velho, o período refratário aumenta, tal como a saciedade (satisfação sexual plena após atividade sexual).

Cedo pela manhã, devido a um específico estágio do sono, há maior tendência de se ter ereções (as chamadas "ereções do xixi"). Mas ao longo do dia, a vontade de fazer sexo pode variar e até pode ser absolutamente normal um homem não apresentar desejo sexual algum. Só surge problema quando ele encuca.

Veja neste artigo 25 coisas que você precisa saber sobre sexo. ;)

Secreção: é sujo?

Numa de suas citações mais famosas, o cineasta Woody Allen brinca que sexo bom é sexo sujo, aludindo aos fluidos corporais. Muitas mulheres não conseguem relaxar na hora da transa, principalmente durante o sexo oral, com receio de que seus órgãos genitais apresentem mau cheiro ou um gosto esquisito. Alguns tipos de infecção (esses casos precisam ser tratados) e determinados alimentos de fato podem causar alterações nos fluidos vaginais, mas, de modo geral, são poucos os sujeitos que se incomodam com o aroma e o sabor femininos.

Não há sujeira alguma nas secreções vaginais. Normalmente, o muco presente na vagina é responsável pela lubrificação para a atividade sexual não ser dolorosa (devido ao atrito do pênis) e pela manutenção da flora vaginal saudável. Ele é produzido de forma similar à saliva da boca. Somente em condições de infecções (vulvovaginites) podemos observar mal cheiro, sintomas de ardência e coceira na região. Para o sêmen a situação é a mesma. Este é composto por secreções que ajudam a lubrificação e o deslocamento dos espermatozóides. Em condições normais, não há infecções (germens).

Pelo fato de o sistema urológico (sistema para eliminar a urina) estar próximo anatomicamente ao sistema genital, há uma certa confusão. Na mulher, existe um orifício por onde sai a urina que se chama orifício uretral. A urina não sai pela vagina. São dois orifícios diferentes. No homem, tanto a urina quanto o esperma saem pelo mesmo orifício uretral localizado na cabeça do pênis. A urina, em boas condições de saúde, não apresenta infecções e mau cheiro.

Sexo como terapia

Que tal experimentar suas relações sexuais com muito mais consciência física e energética, atento a todas as sensações e emoções liberadas naquele encontro? Esta é a proposta de uma linha do Tantra que trabalha o sexo como prática espiritual para o autodesenvolvimento.

O Tantra é uma ciência oriental, uma união de práticas para quem busca o caminho da libertação. São vivências cotidianas para o autodesenvolvimento da consciência. Das 112 técnicas de meditação ensinadas, poucas são relacionadas à sexualidade. No entanto, no ocidente esta palavra hoje está diretamente relacionada o tema.

O australiano Andrew Barnes já esteve em 27 países ministrando cursos sobre como expandir a relação de homens e mulheres com o sexo. Em seu trabalho pelo mundo desde 1993, ele percebe que homens e mulheres estão querendo mais das suas relações.

Ele ensina que é possível expandir as experiências sexuais, liberando os bloqueios físicos e emocionais que nos impedem de ter uma vida plena e feliz. “A energia sexual é poderosa e criativa, mágica o suficiente para criar vida. Mas fomos ensinados a reprimir desde jovens. Podemos usar esta energia para nos preencher diariamente. Somos viciados em cafeína, em adrenalina, para ter mais disposição. Com as práticas tântricas temos mais vitalidade e condições de manifestar a nossa verdade para o mundo”, comenta.

Andrew destaca que o orgasmo pode ir além do físico e genital.“Todas as células do corpo são orgásmicas. Para o homem, o orgasmo é associado à ejaculação. Porém, se ele fizer sexo diariamente apenas para soltar o estresse, vai baixar sua frequência e perder energia vital. A mesma coisa acontece com a mulher que busca o orgasmo apenas clitorial, para relaxar.”

Se a relação sexual proporciona uma expansão energética e uma sintonia mais profunda para o casal, é possível se ter experiências incríveis de autoconhecimento e transcendência. “O sexo se torna uma fonte de entusiasmo e motivação”, estimula.

Sintonia entre homem e mulher

Andrew acredita que, para haver uma conexão superior entre o feminino e o masculino através da energia sexual, é preciso reconhecer que homens e mulheres são mais parecidos do que diferentes. “Essa história de que as mulheres são de Vênus e os homens são de Marte é uma bobagem. Todos são da Terra! E, sim, os homens têm sentimentos e eles estão diretamente relacionados com a sua vida sexual”, afirma.

Para ele, a crença nas diferenças prejudica a empatia, e o que precisamos hoje nas relações é de mais compreensão e compaixão. “Precisamos expandir a intimidade e o prazer em nossos relacionamentos. Substituir as desconfianças, feridas e raivas por energias mais sutis”, diz Andrew.

Fontes: ABC da Saúde - www.abcdasaude.com.br, UOL Mulher – www.mulher.uol.com.br, Andrew Barnes e Paula Fernanda - www.paulafernanda.com.br

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